A preocupação cada vez mais presente com o impacto ambiental das práticas cotidianas de consumo
tem propiciado debates tanto nos meios acadêmicos quanto no dia a dia dos cidadãos comuns que,
estimulados pelas mídias e pelas ações de governos, empresas e movimentos sociais, passariam a
incorporar hábitos de consumo sustentável, ético ou, como é mais comumente chamado no Brasil,
consciente. A primeira parte deste trabalho, discute os conceitos e ideologias do consumo consciente,
traçando um breve comparativo entre os discursos das entidades brasileiras e um exemplo de uma
instituição italiana que versa sobre o tema, estabelecendo critérios norteadores para a segunda parte
que, baseada em uma etnografia das compras, realizada na cidade de Florianópolis, junto a dezoito
mulheres de camadas médias da população, o presente estudo busca compreender até que ponto
ocorre, nas escolhas que acontecem durante as compras cotidianas de abastecimento doméstico,
especialmente em supermercados, a preocupação orientada para a proteção do meio ambiente, bem
como investiga a incidência dos discursos e ideologias de consumo consciente e/ou sustentável
sobre comportamentos e atitudes dessas mulheres, especialmente sobre o seu entendimento de seus
papéis de mães e donas de casa, em relação aos hábitos de consumo. De modo geral, observa-se,
entre as interlocutoras, a presença da preocupação ambiental na forma de administração doméstica
dos recursos naturais – água e energia, e da reciclagem do lixo. No supermercado, entretanto, esta
preocupação é menos observável.